quinta-feira, 29 de junho de 2023

Canto Coral na EMEF Águas de Março - Conj. José Bonifácio II, São Paulo - SP

Nesse ano de 2023, após quatro anos sem trabalhar com música retornei com o projeto de canto coral na escola municipal em que trabalho como pedagogo. Estou trabalhando com estudantes do Fund I e Fund II, eles estão gostando muito do projeto. O início da aula começamos formando uma roda fazemos exercícios de alongamento corporal em seguida praticamos dois tipos de exercícios de respiração e começamos a técnica vocal com dois ou três exercícios que abrangem uma escala de cinco notas na sequencia ou cantando os intervalos com números, vogais, sílabas ou com puequenas frases. Fazemos uma sequência de exercícios ritmicos com palmas e marcando O Passo (Lucas Ciavatta) e após esses exercícios fazemos a prática do repertório. As músicas que estamos fazendo são: Duas Cirandas, El Juego Chirimbolo, Jimba Papaliuska, Tumbay e Simamaka. As crianças e adolescentes nesses três meses de projeto estão conseguindo cantar com voz de cabeça desenvolveram a voz e a percepção melódica e rítmica, pois, nas duas últimas aulas fizeram a leitura no quadro branco de figuras rítmicas de colcheia e seminima, além de lerem semibreve, mínima e seminima com altura definida de C a G. Sinto com esse trabalho que apesar de ficar 4 anos sem trabalhar com música, os cursos que fiz me deram uma bagagem boa para desenvolver o trabalho e estou sentindo mais facilidade e gostande de ver o resultado que estamos obtendo nos dois grupos de canto. A música e o movimento é sucesso com as crianças, ou seja, como os africanos fazem música, cantando e dançando. Abraços e até a próxima!

terça-feira, 2 de maio de 2023

Maria J. Alves, mnha primeira professora de Música e harmonia.

No mês de janeiro de 2023, tive o privilégio de realizar o sonho da minha primeira professora de música. Ela fez um trabalho de musicalização infantil comigo desde os primeiros dias de gestação, pois, tocava sanfona/acordeon quase todos os dias na igreja. Essa acordeonista foi quem me deu uma aula básica de harmonia e percepção harmônica quando me fez ouvir e sentir as progressão I IV V I. I IV I e I V I. O professor Julio Cesar em um curso de arranjo nos mostrou que a harmonia se resume a isso, entendendo e sentindo isso tocamos de forma minimalista qualquer música tonal. O arranjo musical parte desse princípio para coisas mais elaboradas. O sonho que realizei dela, foi um passeio de balão em Boituva, depois, fomos para Itu e lá ela tocou o acordeon de sua cunhada, minha tia Islaine. Caro leitor, foi difícil segurar a emoção, pois faz muitos anos que ela não toca acordeon. Já toquei muito o trompete com ela na igreja. Compartilho o vídeo dela tocando e confesso que me emocionei muito para cantar e para não chorar. Abraços!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

Música e Recuperação das Aprendizagens - Alfabetização

Música e Alfabetização

        No ano de 2022, pós pandemia, trabalhei com um quinto ano e ao fazer a sondagem de leitura, descobri que 12 crianças não sabiam ler. Pensei, o que fazer para resolver esse problema além das atividades cotidianas de sala? Vamos cantar! Lembrei que quando criança e adolescente sempre cantava na igreja lendo as letras, mas, era preciso decorar para fazer os gestos e isso nos ajudava desenvolver a leitura e a memória. Então, no segundo bimestre fiz a proposta para as crianças e começamos um projeto de Canto Coral Infantil.

        Utilizamos os momentos de aquecimento para vocalizarmos com as vogais e depois com as sílabas simples e posteriormente com as sílabas complexas. O foco nesse caso não era a musicalização em si, mas, o desenvolvimento da leitura por meio da música. Sempre depois do aquecimento os alunos com a letra da música já colada no caderno acompanhavam cantando. Ah! É importante lembrarmos que antes de cantar fazíamos a leitura das músicas e o entendimento sobre o assunto.

        A música é uma ferramenta tão poderosa que, desses 12 alunos, apenas 2 não se desenvolveram como poderiam, pois, um teve muitas ausências e quando vinha não queria fazer as atividades e o outro que era pré-silábico no início do ano, mas, começou a ler silabas simples entre o segundo e terceiro bimestre. Entretanto, por motivos de saúde se ausentou no último bimestre. Os demais alunos, todos terminaram o ano lendo parágrafos inteiros com fluência durante as atividades de leitura do quarto bimestre.

        Outro fato interessante, durante as aulas quando cantamos a música Paz Pela Paz, alguns alunos falaram que era muito bonita e que estavam emocionados. Com a Adrian Calcanhoto cantando Fico Assim Sem Você, todos gostaram muito de cantar e se emocionaram. As músicas que fizemos com gestos, não preciso nem falar que foram muito divertidas.

        As músicas que cantamos em sala de aula com o Youtube e outras acompanhadas ao violão:

  • Cantigas de roda
  • Yapo
  • Catira do Passarinho de Celso Pan e Jacqueline Baumgratz
  • Quero Paz - Roberto Carlos
  • Paz Pela Paz - Nando Cordel

        Essas cantamos na sala de aula no terceiro e quarto bimestre

  • Tiro ao Álvaro - Adoniran Barbosa 
  • Fico Assim Sem Você - Claudinho e Bochecha, versão Adriana Calcanhoto
  • Melo do Marinheiro - Paralamas do Sucesso
  • Prá Melhorar - Marisa Monte
  • Si Mama Kaa - Tradicional da Tanzânia 


        Infelizmente perdi o celular em novembro, então, compartilho o link da apresentação no Facebook.

 https://web.facebook.com/100000294814356/videos/pcb.5964423990244036/627447562284956

Alunos do 5º Ano C da EMEF Águas de Março 

Flauta Transversal: Isabela Santos Alves

Regência e Violão: Isaac Alves


                                            Agradeço pela atenção e leitura

                                                                        Aguardem novidades chegando!

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Lendo e cantando uma partitura não convencional (musicograma)


Na aula do dia 10 e 12 de maio os alunos do terceiro ano leram e cantaram com o musicograma do minueto de Boccherini. Foi um sucesso total, pediram para cantar mais uma vez assim que terminamos de cantar. A atividade começou com a pergunta o que os músicos fazem para em um número tão grande tocarem e cantarem juntos? Respostas: - Ensaiam. Respondi que sim, ensaio é importante, mas como eles ensaiam o que fazem no ensaio? R. Sons, música. Novamente perguntei: Mas como eles fazem sons e música juntos? Respostas de um aluno: - Eles tem um papel para ler. Então, expliquei que o papel se chamava partitura e que na partitura tem a representação da duração, altura, intensidade e timbre dos instrumentos. Após isso apresentei uma partitura convencional e depois o musicograma do Boccherini. Lemos a "bula" e depois cantamos juntamente com a gravação.
As crianças ficaram muito encantadas e empolgadas durante a atividade. Em um outro dia, a professora de artes veio me falar que os alunos estavam cantando em sua aula uma música que a princípio ela pensou ser funk, mas depois percebeu que não era e questionou a turma, eles responderam que era uma música que o professor de leitura tinha ensinado. Nem só de funk e forró vive a periferia! Se tiverem oportunidade de ouvir e fazer outras musicas ou atividades eles fazem e gostam.

Aguardem, esse musicograma não sei de quem é a autoria, mas estou fazendo do Johann Philipp Krieger, espero que fique bacana a partitura não convencional.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Escuta passiva e leitura

Na Semana passada no dia 19 de abril as professoras das salas de aula dos terceiros anos leram a história do Mozart da coleção crianças famosas. Quando as crianças entraram na sala de leitura, lemos a primeira parte da sinopse sobre a Ópera A flauta mágica e assistimos uma parte do desenho da ópera. As crianças amaram. Na aula dessa semana, 26/04, lemos a sinopse inteira e terminamos de assistir o desenho sobre a ópera A flauta mágica. Ao final as crianças viram a ária da Rainha da noite com a soprano Diana Damrau e ficaram encantadas. Algumas falaram que seriam cantoras de ópera quando crescessem. Estou vendo como dá resultado o trabalho de formiguinha com as crianças, pois tudo começou no ano passado com cinco minutos de escuta ativa ou passiva durante a aula na sala de leitura. Neste ano estou conciliando a leitura sobre os compositores, maestros, as peças musicais e a escuta das músicas com algumas atividades de musicalização. Abraços!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Escuta ativa e passiva na sala de aula

No ano de 2016, percebi que as crianças estavam muito agitadas na sala de leitura, então comecei uma experiência de tocar música durante os cinco primeiros minutos de aula. Músicas de três a quatro minutos no máximo. Trabalhando a escuta passiva e ativa. No primeiro momento era difícil eles ficarem quietos para ouvir a música, mas gostaram de fazer a escuta ativa e com o passar dos dias começaram a ouvir e ficar quietos nos momentos de escuta passiva. Uma turma em especial o 2º B que sempre estava bem agitado melhorou muito a escuta e a concentração. Agora neste ano 2017 tive uma grata surpresa com essa turma que é o 3º B, pois na nossa primeira aula fizemos a escuta passiva e ativa do Minueto de Luigi Boccherini e os alunos e a professora da sala gostaram muito. Durante essa aula fizemos a contação de histórias por meio dos sons e foi muito divertida e instrutiva a aula em relação aos sons que nos rodeiam. Na segunda aula que fizemos música foi no dia 07/04/2017, assistimos e ouvimos o primeiro movimento (Allegro con brio) da 5ª Sinfonia de Beethoven regido pelo grande maestro Leonard Bernstein e foi muito, mais muito gratificante ver as crianças assistindo e ouvindo como se fosse um desenho de tão concentrados e atentos que estavam. Pude ver o resultado do trabalho de escuta ativa e passiva que começou com músicas de 3 a 5 minutos na qual os alunos tinham dificuldade de se concentrar para ouvir. Nessa aula foi muito bom ver que ficaram assistindo e ouvindo durante os mais de oito minutos e ao final falarem que queriam ser maestros compositores como o Beethoven. A professora levou o livro Crianças Famosas Beethoven para ler na sala de aula e as crianças gostaram muito da leitura. Fica a dica pessoal, vale a pena investir na escuta ativa e passiva na sala de aula.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016


Um pouco do meu trabalho e ensaio com as crianças e adolescentes na EMEF Chico Mendes. Depois posto um novo vídeo com o trabalho finalizado.

domingo, 24 de junho de 2012

Didática da prática instrumental (Orff) Professora Enny Parejo


Há muitos anos vi uma das apresentações com o instrumental Orff na antiga ULM e fiquei encantado com as possibilidades musicais que ela proporciona. A metodologia que é aplicada para o ensino da música com o instrumental Orff também é dinâmica e prazerosa da forma que a professora Enny conduziu as aulas na Cantareira. Quando comecei na ULM, tive o primeiro contato com metodologias diferentes para o ensino da música, pois tinha sido adestrado com o Bona. Mas ao ver aquela apresentação de crianças de uma forma totalmente musical, fiquei entusiasmado e querendo fazer uma oficina com o instrumental Orff. Contudo me mudei para Ubatuba e a distância, o tempo e a falta de dinheiro impediram e acabei não fazendo. Agora na pós-graduação finalmente consegui participar de uma oficina e amei a forma de trabalhar a música com esses instrumentos porque com pequenas frases ou motivos bem simples que as crianças possam tocar, podemos fazer uma peça musical bem elaborada que soe muito bem. Achei interessante a mobilidade do instrumento, pois podemos tirar as placas e deixar somente as que serão tocadas, isso ajuda as crianças no momento em que estão aprendendo a tocar. A forma como a professora Enny ensinou a segurar as baquetas e a forma que aplicou os exercícios como aquele que contávamos até quatro e passávamos as baquetas para o amigo da direita, ou da esquerda, foi muito gostoso, instrutivo e divertido. As diversas musicas que tocamos e improvisamos foram instrutivas, divertidas e tornaram o fazer e o aprender música muito prazeroso. Como disse acima que fui adestrado no Bona, agora estou tentando divulgar nas igrejas evangélicas essas novas metodologias e práticas musicais, que nem são tão novas. Infelizmente as igrejas ainda continuam utilizando o Bona e no máximo quando mudam, utilizam o Pozzoli rítmico. Contudo, a forma e a metodologia de ensino na maioria das igrejas continuam a mesma anti-musical e ainda continua excluindo o corpo do fazer musical. Entretanto, sabemos que as igrejas são atualmente lugares onde o fazer musical ocorre com uma certa frequência criando e desenvolvendo músicos tanto para suas funções religiosas, quanto para o mercado musical. Portanto, penso que se conseguirmos melhorar o ensino o ganho para a música seria enorme, pois um aluno que tenha um ensino básico de qualidade no início de sua aprendizagem musical terá um ótimo desenvolvimento musical e se posteriormente quiser se profissionalizar bastará dar continuidade nos estudos musicais. Por este motivo estou buscando me aperfeiçoar e divulgar nas igrejas essas metodologias de ensino musical porque se conseguirmos essa mudança o benefício será aulas e alunos aprendendo com prazer e músicos muito mais capacitados tanto para as funções musicais religiosas, quanto para o mercado de trabalho.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pesquisa sonora e improvisação Profª Dra. Enny Parejo

Pesquisa sonora e improvisação com Enny Parejo

Na primeira aula do dia 03/04/2012, começamos a aula com um aquecimento e alongamento corporal. Enquanto a professora tocava o atabaque nós íamos movimentando diversas partes do nosso corpo começando pela cabeça até chegar aos pés. Depois  a professora ofereceu-nos o atabaque e outro aluno ficou tocando enquanto ela se aquecia e nós terminávamos de fazer o aquecimento. Nessa atividade senti uma diferença grande entre a professora e o aluno que tocou, pois, o som estava mais pesado e tenso. Senti no corpo a diferença sonora para aquecer e alongar porque o som vinha carregado de tensão, enquanto que com a professora o som vinha suave e era relaxante. O que percebi nessa atividade é que a forma como tocamos o instrumento seja ele de percussão, teclas, sopros ou cordas no momento do aquecimento e alongamento corporal, fará com que as pessoas relaxem ou fiquem mais tensas.
Em seguida começamos uma atividade com um ritmo binário criado por cada aluno. Todos tocamos juntos todos os ritmos e ficou difícil de entender, pois muitos ainda tem dificuldade de se ouvir e ouvir o todo. Então a professora sugeriu que entrássemos cada qual com o seu motivo rítmico até chegar no tutti, foi então que todos começaram a se ouvir, tanto o que fazia como o que os outros faziam. Após essa audição geral, começamos a improvisar em duplas, isto é, tinha um dialogo entre dois instrumentos e depois voltávamos ao tutti. Na primeira vez foi improviso sem métrica, todos nos sentimos a vontade, mas na segunda rodada a professora estipulou dezesseis compassos binários, então quase que a maioria dos alunos sentiram-se presos e me senti preso também com a preocupação de manter o improviso dentro dos dezesseis compassos. Comentamos com a professora a respeito desta dificuldade e ela falou que devemos praticar mais, pois a forma é importante e por meio da prática nos apropriamos dela para com ela e por ela nos superarmos dentro do improviso, essa superação só vem com a prática do fazer musical. Após essa atividade fizemos a exploração sonora da folha de jornal, apesar de ter pouca intensidade sonora o jornal possibilita diversos sons, percussivos, de sopro, (rasgado, dobrado e amassado), sendo esses três últimos próprios do papel. Depois de explorarmos sonoramente a professora fez uma pontuação que poucos levaram a atividade a sério, pois em pouco tempo pararam de manipular as folhas de jornal. Após essa pontuação solicitou-nos que fizéssemos uma composição com os sons explorados. Apesar de eu ter errado no ritmo a Carolina captou a essência do que eu tinha composto, pois ela falou ter percebido o ritmo do samba e o barulho de um trem. Essa era minha ideia, pois com os dedos imitava no jornal o som das pessoas entrando no bonde, em seguida dobrava a folha e esfregava uma na outra tentando imitar o barulho do bonde nos trilhos, e depois tocava o ritmo do samba no jornal como se fosse um pandeiro. Para mim essa atividade foi bem prazerosa, divertida e instrutiva, pois quando cada um apresentava a sua composição eu ficava tentando descobrir o que a pessoa tinha feito sonoramente, então ouvi e imaginei diversos sons. Alguns eu acertei outros a pessoa que produziu o som não tinha pensado em nada do que eu consegui ouvir e imaginar, apenas pensaram no mecanismo de amassar, dobrar ou rasgar o papel. Entretanto, penso eu que, essa atividade de exploração sonora passa a fazer mais sentido quando utilizamos a imaginação e o faz de conta que na criança é natural e para nós adultos ela já foi sufocada. Portanto, para esse tipo de atividade, penso eu que devemos nos esforçar para despertar novamente a imaginação e o faz de conta para que possamos aproveitar mais essas possibilidades sonoras que vão além das ondas sonoras, ou seja, utilizam os espectros do som. Depois da exploração e composição com o jornal exploramos o papelão livremente. Cada um apresentou um som diferente e depois a professora pediu para que fizéssemos uma composição que fosse agrupando esses sons. Foi muito gostoso fazer essa atividade, o Horácio conduziu, a professora conduziu, o Diogo conduziu, enquanto eles foram fazendo suas composições utilizando os nossos sons eu me lembrei de uma apresentação da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo que começava com a percussão imitando os fogos de artifícios, pois tinha uns sons agudos e um som grave que estavam fazendo na sala que me lembrou esse som. Eu só precisei executá-los na ordem, ou seja, três sons agudos e o grave forte finalizando como um tiro de rojão. A professora pediu para que eu intercalasse essa sequencia e o improviso de tutti e soou bem interessante a proposta. Durante essa aula ficou bem visível que alguns alunos não conseguem usar a imaginação e não gostam de trabalhar com esse tipo de som, mas, nós como professores não podemos nos abster de utilizar a música contemporânea na sala de aula, pois ela nos possibilita um enorme ganho na educação. Ela possibilita desenvolver a criatividade, a emoção, o entrosamento e a participação de todos na sala de aula, pois com qualquer material selecionado podemos fazer música e o que é melhor com qualidade, pois para fazer música com esse tipo de material a criança ou o adulto tem que entender as propriedades do som. Portanto o ganho de se trabalhar com a música contemporânea é imediato, prazeroso, instrutivo, instigante e divertido, pois possibilita a utilização dos instrumentos convencionais e de diversos materiais que produzam som. Sendo que a grande aprendizagem ocorre na exploração dos materiais que produzem som, pois os participantes terão que classificar os sons explorados em relação a altura, timbre, duração, intensidade e densidade do som  e é esse um grande momento de muita aprendizagem.

Aula do dia 09/04/2012

Nessa aula praticamos um pouco de contação de histórias e a professora abordou que devemos utilizar o timbre, a altura, a intensidade e a duração do som durante a contação das historias, pois isso deixa a história mais divertida e prende a atenção das crianças. Com certeza a utilização das propriedades do som e a criação de vozes para os personagens das histórias infantis deixam as crianças encantadas e com a atenção totalmente voltadas para a história que esta sendo contada. Essa experiência eu já tive até em sala de aula convencional e com alunos do quinto ano do ensino fundamental, pois contava histórias nas aulas e eles prestavam atenção e gostavam de ouvir. Na verdade fiz essa atividade como uma experiência na sala de aula. Pensava que eles já não iriam curtir por causas dos desenhos e filmes que assistem na TV, mas para minha surpresa eles gostaram muito de ouvir as histórias. Depois de contar a história pedia para que escrevessem com suas próprias palavras e a maioria escrevia a história inteira com começo, meio e fim. Detalhe que me chamou a atenção foi que eles comentaram que eu lia a história de um jeito diferente, então os questionei, como assim? Eles responderam: Você cria vozes diferentes para os personagens e coloca sons na história. Nesse bimestre do ano de 2008 fui chamado para dar uma oficina de musicalização na escola, então abordei esses assuntos fizemos uma prática de contação de história e as professoras gostaram de fazer a oficina.
Na aula como a professora Enny ainda contamos a história e utilizamos os instrumentos durante a contação da história. Cada grupo apresentou a sua história e foi muito rica a apresentação de cada grupo ou dupla, pois nessa atividade cada grupo mostrou sua sensibilidade e criatividade para encaixar os instrumentos e o som no contexto da história.

Aula do dia 16/04/2012.
A aula começou com cada um pegando o próprio instrumento e tinha instrumento de percussão de altura definida ou não, de sopros e de cordas dedilhadas e friccionadas. A professora tocou um motivo e nós repetimos, depois cada um criou o seu motivo e todos nós repetíamos, após todos tocarem individualmente a professora apresentou um tema melódico de duas frases que foi o nosso ostinato e a partir dele exploramos diversas texturas sonoras. Em seguida continuamos a atividade com o tutti tocando o ostinato e sendo substituido por um improviso diálogo entre dois instrumentos e novamente interrompido pela entrada do tutti em ostinato. O mesmo ocorreu individualmente um solista interrompia o tutti e o tutti interrompia o solista, como num concerto grosso. Depois a professora sugeriu um trio ou quarteto dialogando e o tutti interrompia o solo do quarteto e similar o quarteto interrompia o tutti. Na primeira vez com o quarteto não funcionou bem, pois a ansiedade do grupo em tocar não deixou ouvir os quatro instrumentos mais fracos que tentaram dialogar, então o tutti cobriu a conversa. Paramos e discutimos sobre a nossa prática e na segunda vez já foi um pouco melhor, pois conseguimos nos ouvir um pouco mais, porém percebemos que como grupo ainda precisamos melhorar muito mais a nossa escuta. Depois dessa atividade fizemos uma exploração de timbres e possibilidades sonoras nos nossos intrumentos e com esses sons dialogávamos com os outros em duplas, trios e quartetos. Novamente tivemos dificuldade para desenvolver a atividade com os quartetos, pois tínhamos que ouvir quatro instrumentistas dialogando, depois alguém tinha que ir entrando e substituindo os indivíduos da conversa, esse processo ficou confuso, pois muitos não esperavam a conversa entre o quarteto se firmar para entrar e interromper. Precisamos aprender a ouvir mais e vencer a ansiedade enquanto grupo musical. Em seguida a professora propôs a exploração com pontos sonoros começando rarefeito, ficando denso e silenciando com a entrada de um solo que poderia ser individual, em dupla ou trio que seria interrompido pelo tutti novamente com os pontos rarefeitos que ficariam densos. Nessa atividade também a não escuta do grupo atrapalhou, sendo que somente na segunda vez que fizemos após a discussão, melhorou um pouco, mas ainda pode ser melhor se nos escutarmos mais e vencermos a ansiedade de tocar. A atividade seguinte foi a projeção de uma história e nós tivemos que sonorizar com os nossos instrumentos, foi muito divertido e rimos bastante na sala de aula, pois cada um utilizou os instrumentos em momentos específicos da história. Após essa atividade fizemos a musica de algumas paisagens ou quadros abstratos que a professora nos apresentou, o grupo que participei apresentou um quadro que continha duas gaivotas voando e o mar. Produzimos o som do mar, o som das gaivotas, umas frases da Garota de Ipanema e voltava para o som do mar. Cada grupo apresentou um quadro diferente e gostei muito de apresentar e ouvir a apresentação dos outros grupos. Já no final da aula pedi para fazer um quadro com todos, pois gostei muito das linhas melódicas e possibilidades sonoras que ele apresentava.
Conclusão
As três aulas de pesquisa sonora e improvisação serviram para ampliar o horizonte das possibilidade sonoras que podemos utilizar em nossos trabalhos como educadores, compositores e interpretes. Para mim e alguns outros alunos, ficou a vontade de improvisar e explorar mais os sons porque foram atividades muito prazerosas e instrutivas, já para outros deu para notar que era uma atividade massante e que não proporcionava prazer e nem interesse. Sou suspeito para falar sobre música contemporânea, pois foi por meio dela que passei a tocar melhor a música tradicional. Termino com um frase de Paulo Leminski. Nunca cometo o mesmo erro duas vezes já cometo duas três quatro cinco seis até esse erro aprender que só o erro tem vez.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Da loucura a minha genialidade, da sua sabedoria: apenas a ignorância. ...

Jardins dos caminhos que bifurcam nº 01 - Cao Benassi

A flauta doce hoje. Parte final

Didática da prática instrumental (Flauta) Profª Claudia Freixedas

Didática da prática instrumental (Flauta) Profª Claudia Freixedas

Didática da prática instrumental (Flauta) Profª Claudia Freixedas

Continuação do vídeo
 A flauta doce hoje.

Didática da prática instrumental (Flauta) Profª Claudia Freixedas

Olá, pessoal!
Aqui esta uma sequência de vídeo do compositor Cao Benassi, no qual ele dá várias dicas de como produzir efeitos sonoros especiais com a flauta.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Música e expressão pelo movimento/ Entrevista com Daniel Reginato.

No dia 14/06/2011 enviei algumas perguntas via Skype e fiz a primeira parte da entrevista com o Daniel Reginato pelo Skype e a segunda parte pessoalmente na Oficina de Canto Coral com base no repertório folclórico na Oficina Cultural Alfredo Volpi em Itaquera.

Isaac Alves: Como você vê que o corpo se mostra nas aulas de música tradicional? E como deve ser em um ensino "holístico"?
Daniel Reginato: O que você entende como holístico?
Isaac Alves: no sentido de que o corpo também faz parte do ensino e não somente o mental que é o que a educação enfocava e ainda enfoca.
Daniel Reginato: Na prática tradicional. Onde teoria musical era ensinada pelo mesmo professor do instrumento. O corpo só é solicitado para conduzir uma regência. No caso do solfejo. Lembro-me de ter feito o Bona e o Pozzolli e que os professores enfatizavam a questão da regência para eu saber quando estava no compasso. Era só. Não existia um movimento ou preocupação dos professores para trabalhar questões como prontidão. Ou até ajustes de relaxamento muscular para tocar sem tensão.
Isaac Alves: Ok! Eu também tive essa mesma prática cruel.
Daniel Reginato: Já, atualmente ainda existe uma enorme lacuna e carência para se ensinar música para adultos sem necessariamente passar por um instrumento. Os cursos ou são de interpretação (coral, instrumento e etc...) ou são de apreciação musical. Quando há o corpo envolvido os professores tendem achar que é muito lúdico. E que só serve para a criança.
Isaac Alves: Concordo, inclusive muitos adultos musicistas pensam assim.
Daniel Reginato: Mas depois que percebi que precisava reativar a memória corporal das pessoas. Uma memória do corpo ativo. Entendo e projetando os conceitos que quer fixar. (Entendo e projeto no corpo os conceitos que quero fixar.) O Dalcroze fala do eixo tempo x energia. Para se tocar ou cantar bem. Você deve estar conectado com seu corpo. E tem de entendê-lo como uma extensão de sua própria possibilidade expressiva. Para mim não tem como falar de música sem falar de movimento.
Isaac Alves: Que beleza com apenas uma pergunta você esta me respondendo várias questões que tinha que fazer. Como já tinha conversado com você em outras aulas, já sabia que sua prática envolve o corpo no fazer musical. Isso é ótimo. Então é um pouco do que já conversamos mesmo.



Música e expressão pelo movimento/ Entrevista com Daniel Reginato. II
Segunda parte da entrevista com o Daniel Reginato.
Isaac: Como você já falou sobre sua iniciação musical que começou sem movimento corporal, ou seja, sem inserir o corpo integralmente e teve a iniciação musical com o Bona e outros métodos similares que o máximo de movimento que fazia era com as mãos marcando o compasso. Como você chegou a essa prática que envolve o corpo e busca o movimento dele como um todo nas aulas de música que ministra e como você começou utilizar o método “O Passo”?

Daniel: Como meu trabalho é mais ligado ao canto sempre tive uma atividade corporal mais sistematizada principalmente durante as minhas aulas. Em um dos cursos que fiz no Rio de Janeiro (promovidos pela RIO A CAPPELLA) tive conhecimento de uma ferramenta de percepção que propiciava aos cantores que não tinham leitura musical entender conceitos fundamentais de ritmo seu nome era O PASSO. Na época trabalhava com um regente chamado Eduardo Fernandes (CORALUSP, Coral UNIFESP) que começou a usar o método em seus ensaios. Entretanto, usava de maneira especifica, ou seja, para resolver um problema especifico que um determinado naipe apresentava, já que o contexto estava voltado para a interpretação. Porém, mais tarde, na Escola do Auditório Ibirapuera, onde eu regia um grupo juvenil, o método passou a ser adotado através de um curso de formação, e assim conheci o Lucas Ciavatta, criador do método. Já conhecia um pouco sobre o assunto e na época pude me aprofundar nessa temática. Então entendi o que era “O Passo”. Na época o Lucas disse que desenvolveu o método para que ele pudesse suprir as necessidades que ele encontrou ao começar estudar música, já muito tarde. E ela possibilita que todos sem exceção, cheguem à compreensão rítmica. Depois de um ano a escola adotou o método como esqueleto da aula de percepção, pois até então eram feitas aulas de percepção e teoria da forma mais próxima da metodologia tradicional e cerebral, sem a presença constate da consciência corporal. “O Passo” era usado aparentemente somente para resolver problemas rítmicos. No ano seguinte “O Passo” tomou uma direção muito grande na escola, não somente a mecânica, mas toda a forma de introduzir a música e o critério de como usar O Passo que o Lucas baliza ao pensar educação musical. Então, a escola convidou-o para criar um núcleo de percepção com o que ele achasse ideal para a formação de músicos e como eu já trabalhava com “O Passo” em um outro grupo que regia, ele me chamou para trabalhar. A partir de então a escola do Auditório passou a ter uma matéria chamada Canto com O’PASSO, que era uma aula de afinação, onde existe uma prática do solfejo melódico e harmônico. Essa disciplina tem como base a reflexão minha e do Lucas dos processos e caminhos inerentes a uma consciência da afinação. Estão presentes as ferramentas do O’PASSO como a marcação do pulso quando existe uma necessidade de leitura de trechos ou mesmo a própria filosofia de trabalho do método, principalmente no rigor das fases de apreensão do conteúdo.
Voltando ao assunto do corpo lembro-me também que me aproximei de outra linha pedagógica musical que associa a utilização do corpo no aprendizado. Por volta de quatro anos atrás em um simpósio de educação musical conheci as técnicas propostas pelo Suíço Emile Jacques Dalcroze. Através do prof. Iramar Rodrigues que leciona em Genebra pude vivenciar na prática, soluções em sala de aula onde o corpo faz parte do aprendizado e é convidado como tradutor da percepção musical em todos parâmetros sistematizados. Lembro de Iramar sempre repetir: “tudo é movimento”. Então, fiz a conexão de que esse uso do corpo também influenciaria no resultado da sonoridade dos coros, e que também funcionava como solução necessária para pessoas que desejavam um estudo musical calcado em uma abordagem mais sensorial.

Isaac: Vejo que para você o corpo é muito importante para a pratica musical, pois você não o dissocia da mesma. O que você vê na educação brasileira musical, o enfoque no corpo cresceu ou ainda falta muito para a introdução do corpo na música erudita?

Daniel: Você esta falando da educação musical para crianças, para adultos ou para o ensino de instrumento?

Isaac: Vamos focar no ensino do instrumento.

Daniel: Existe uma grande resistência de usar O PASSO, de incorporar e estabelecer o tempo inteiro a medida (o movimento) corporal na educação musical para os professores de instrumentos, mesmo dentro da Escola do AUDITÓRIO, onde o método é oficialmente adotado. Temos excelentes professores instrumentistas e não são todos que usam O PASSO nas aulas técnicas. Eu diria que tem uma resistência absurda. A maioria não usa.  Na verdade no contexto do método “O Passo”, ele visa resolver um problema rítmico, porém, a maioria dos professores estão preocupados em capacitar os alunos a conseguir executar tecnicamente o som do instrumento. A questão está incialmente ligada ao tipo de contexto em que aula se baseia. Percebo que, no entanto, eles não utilizam o PASSO para a resolução de uma leitura simples de um exercício de técnica, mas sempre apresentam uma solução corporal para falar de sonoridade obtida pelo instrumento, seja ele qual for. O ensino de instrumento na música popular incorpora muito a questão corporal. Essa questão de usar ou não o PASSO, lembro-me do Lucas “o passo existe para resolver uma necessidade e se você consegue estudar sem ele, então não precisa usá-lo”.  Eu que estudo piano desde os nove anos de idade, em um dos últimos cursos que fiz, deixei uma preocupação o tempo inteira voltada para a mobilidade do corpo no piano. Existe uma coisa nova no piano que é o professor falar do apoio respiratório, que é educar o ataque, não tencionar a mão. Durante meus cursos de instrumento quando era mais novo não ouvia sobre isso antes e isso é um nível de refinamento. Porém, se observarmos os bons professores de antigamente, de forma empírica, buscavam fazer alguns ajuste corporais visando uma integração melhor entre o corpo e a mente no momento da execução musical.

Segue abaixo o endereço de um vídeo do Lucas Ciavatta falando sobre "O Passo".

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Educadores Brasileiros


Minhas Impressões 

Alguns eu nunca tinha ouvido falar, outros já conhecia alguma coisa, mas como o nosso tempo de aula é limitado apenas demos uma lida ou fizemos algum exercício desenvolvido por esses educadores. Entretanto foi o suficiente para despertar em nós o interesse por nos aprofundarmos mais e conhecermos um pouco mais do que os educadores brasileiros já desenvolveram em relação à música. Nossos educadores são muito bons, competentes e desenvolveram metodologias embasadas em nossa realidade brasileira. Vale muito ter o contato com essas metodologias e para quem tiver interesse em pesquisar e conhecer segue abaixo o nome dos grandes educadores musicais brasileiros que foram abordados em nossa aula, mas, ainda faltam muitos nomes que posteriormente poderão ser adicionados.

  • Anita Guarnieri
  • Bohumil Méd
  • Cacilda Borges
  • Carmem Maria Mittig Rocha
  • Gazzi de Sá
  • Gramani
  • Jurity de S. Farias
  • Liddy Mignone
  • Maria de Lourdes Junqueira
  • Osvaldo Lacerda
  • Villa Lobos

O Educador Musical JOHN PAYNTER (1931 – 1996)



O inglês John Paynter foi educador musical em escolas regulares e também naUniversidade de York. Ele questionou a educação musical que vivia embasada na música do passado e por isso suas características se distanciam da vida cotidiana. Sua pedagogia é de que a música é possível á todos, pois oferece diversas possibilidades para trabalhar atividades e não precisa ser um especialista para isso. Seu ensino é embasado na música de vanguarda (música ocidental erudita de concerto 1940 a 1990), experimental e na escuta ativa em sua prática oferece condições aos alunos de fazerem suas próprias criações e também associava a música ao teatro e as artes visuais. Segundo Paynter para ensinar música não precisa de método, pois ele considerava os métodos a “antítese da mente criativa”. Portanto,  ao invés de criar um método, propôs a construção de um rede de relações de estudos diversificados que geram outros estudos diversificados por meio das experiências pessoais. Para John Paynter existem quatro procedimentos que centralizam a prática musical: os sons na música, as idéias musicais, o pensar e fazer musica e os modelos de tempo. Esses  quatro procedimentos resultam em projetos, pois cada um deles esta ligado ao outro por meio de diversas atividades que formam uma rede complexa de interações que tem um ponto central chamado de resposta e compreensão. Pensando em uma rede, ou uma teia, os quatro procedimentos chamados de projetos podem ser começados em qualquer direção, durar uma aula ou mais e independentemente de onde comece, sempre deve passar pela resposta e compreensão que é o ponto central do entendimento musical. O pensamento em rede é o que diferencia essa prática dos métodos desenvolvidos linearmente na primeira metade do século XX e esse pensamento em nossos dias é bem contemporâneo. John Paynter publicou diversos livros sobre educação musical que defendem seu pensamento e embasa seu trabalho nas descobertas e conquistas da psicologia do desenvolvimento da época, fazendo com que a música tenha sentido e significado no mundo em que vivemos. Citamos aqui três de suas importantes obras: Sound e Silence (1967), Hear and Now (1972), Sound and Structure (1991).

O texto acima foi embasado no livro De tramas e fios: um ensaio sobre a música e educação de Marisa Fonterrada 2001. p.124.

Minhas impressões sobre as atividades que desenvolvemos na aula em relação aos projetos de Paynter foram muito positivas, pois como os outros educadores da segunda metade do século XX ele promove o despertar da criatividade porque a sua escrita delimita alguns parâmetros, mas proporciona uma interpretação muito ampla em relação ao trabalho sonoro, pois cada um de nós executamos e regemos as mesmas partituras, porém saíram músicas totalmente diferentes, novas, criativas e expressivas. Com certeza, todo educador musical de ter contato com a obra e os ideais que esses educadores musicais da segunda metade século XX desenvolveram, pois isso faz muita diferença na nossa prática cotidiana.

O Educador Musical GEORGE SELF (1921 - )


George Self faz parte da segunda geração de educadores musicais dos métodos ativos. Ele é professor de música em escolas de ensino regular na Inglaterra, é ligado a música de vanguarda, não concorda com o ensino de “música do passado”, pois a vê como “um adestramento musical dos alunos” pois, esse tipo de ensino é voltado para si mesmo em muitos casos. Na educação musical é a favor de que os alunos sejam estimulados a ouvir, criar e inventar novas escritas de partituras, tendo início com a escala cromática para conscientizar as crianças das variedades sonoras e não das alturas. Esse trabalho deve ser feito de forma coletiva, ou seja, todos juntos explorando as possibilidades de um determinado instrumento. A iniciação musical não deve enfatizar a pulsação musical e nem as alturas, mas sim explorar os timbres e as variedades sonoras.  George Self dá muita importância aos instrumentos artesanais e principalmente aos confeccionados pelos próprios alunos e utiliza também diversos instrumentos de percussão porque facilitam o primeiro contato e a exploração sonora dos alunos. As atividades desenvolvidas com os alunos não são convencionais e ele enfatiza e valoriza a exploração e a produção sonora pela pratica e criação em conjunto.
De acordo com o educador podemos classificar os instrumentos conforme os sons que produzem, ou seja: instrumentos que produzem som curto, pandeiro, claves etc; instrumentos de sons sustentados, cordas, metais e madeiras etc; e instrumentos de sons que se extinguem  aos poucos, piano, maracás, triângulos etc. A notação para ele pode ser simplificada, pois, valoriza os sons e os timbres, então deixa o ritmo livre da submissão ao pulso e a melodia livre das escalas e modos. Com essa liberdade do pulso e de alturas definidas a partitura pode ser interpretada de diversas formas. No início em relação à dinâmica utiliza somente os sinais de (f) forte e (p) fraco. A escrita de sua partitura é representada por pontos  que representam sons curtos, ponto e linha curva para representar um som tenuto, linha em zigue-zague para representar um tremolo e diversos outros sinais para os demais sons. Após o desenvolvimento desse trabalho com os alunos se quiser trabalhar com a “música do passado” fica fácil porque muitas propriedades do som foram trabalhadas ouvindo, tocando, criando e lendo. Portanto, a transição para a leitura da partitura convencional pode ser feita a partir de uma linha com uma determinada clave, três notas diferentes e os sinais de intensidade (f) e (p). Em pouco tempo e com um mínimo de sinais os alunos já podem no início de sua prática musical com a “música do passado” criar e ler frases musicais feitas por eles mesmos o que torna o ensino e a aprendizagem musical mais criativa e significativa com a realidade dos alunos.

O texto acima foi elaborado com base nos livros “De Tramas e Fios” de Marisa Fonterrada e “O Ouvido Pensante” Murray Schaeffer

As atividades que desenvolvemos com algumas partituras do George Self foram muito esclarecedoras, divertidas, diferentes e criativas de fazer, pois cada um que se dispunha a interpreta-las fazia de forma diferente em relação a duração aos timbres e as alturas porque esse tipo de escrita possibilita essa abertura. Os momentos das atividades com as partituras do Self  deram-nos muito prazer e foram produtivos para nós adultos. Penso que o mesmo ocorre em uma sala de aula, pois, este tipo de música e escrita musical proporciona momentos de realização em grupo e individual. Ainda permite a expressão, criatividade e condução das atividades por cada indivíduo do grupo, além de desenvolver também a socialização dos alunos, pois existem alguns combinados que temos de seguir como indivíduos dentro do grupo para que a música aconteça num todo.